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2 de julho de 2009

FESTIVAL MED - considerações finais
(fotos do blog do Festival)
E lá passaram 5 dias da mais recente edição do Festival Med em Loulé, sem dúvida o ano da sua consolidação. Vamos deixar para trás as opiniões sobre os concertos que muito pouco nos agradaram, (como aquele que provocou a maior enchente do evento, o da multi-premiada Orquestra Buena Vista Social Club, que nos trouxe um som cubano algo requentado, por músicos com falta, e muito, de verve, para recirarem grandes clássicos do son cubano, ou de temas como "Chan Chan" do já desaparecido Compay Segundo) e vamo-nos centrar principalmente naqueles que eram as nossas grandes expectativas, como os de Justin Adams e Juldeh Camara bem como o de Rokia Traoré.
O primeiro, no Sábado, dia 27, foi uma semi-decepção. Não que tivesse sido um mau espectáculo, longe disso. Demonstrou-nos que Juldeh Camara é um músico ainda melhor do que supunhamos, dono de uma colocada e caracteristica voz, e dominando o seu riti (instrumento de uma só corda, antepassado do violino, ao que dizem) de forma exímia, sendo sem dúvida o grande protagonista dos três que se encontravam em palco, e com todo o mérito. Quanto a Justin Adams esperávamos mais do que complementar o que Camara produzia, servindo a sua guitarra apenas de ritmo aos temas que o músico da Gâmbia ia desenvolvendo. Se dotes de guitarrista o músico que normalmente acompanha Robert Plant têm (e acreditamos que sim) neste concerto não se vislumbraram, ficando no ar a ideia que ele é mesmo muito mais um produtor do que músico (basta ouvir para além dos discos da dupla, os que produziu para os Tinariwen). O duo fazia acompanhar-se por Salah Dawson Miller, o etnomusicólogo e conceituado percussionista, que se arrastou pelo palco durante todo o espectáculo, entrando muitas vezes fora de tempo com os restantes músicos, e não demonstrando de forma alguma o porquê da sua reputação enquanto tocador de "darbuka" ou outras percussões, no caso, africanas. Notava-se muito pouco entrosamento entre os três músicos, principalmente os dois ingleses, mas mesmo assim foi um concerto agradável, principalmente na interpretação dos temas mais orelhudos dos dois últimos álbuns, "Ya Ta Kaaya" e "Sahara".
Quanto à lindissíma Rokia Traore, que actuou no último dia do Festival, o caso foi completamente diferente, para bem melhor. Acompanhada por três músicos franceses, no baixo, bateria e guitarra eléctrica, e dois africanos, um no n'goni e uma vocalista e bailarina nos coros, todos eles notáveis no seu papel, assegurando um sólido acompanhamento à sublime voz da maliana. Revisitados temas dos álbuns de Rokia atravês de estupendas interpretações que iam em crescento, culminando por vezes em autênticos registos rock e funk, como por exemplo o portentoso tema "Tounkia" do seu último disco "Tchamantché", havendo até lugar para algumas versões de Miriam Makeba ou Fela Kuti, em jeito de medley, ou o apontamento de temas de Michael Jackson, interpretados pelo excelso baixista. Um grande show de música temperado com uma consciência social aguda, pelo seu continente (pelos apelos feitos à maior riqueza humana - a diversidade) e sempre amparado por uma genuina humildade!
De louvar ainda, dos concertos que vimos, os portugueses Mu, num muito bom espectáculo, como já é seu apanágio, na interpretação de temas da tradição europeia, dos sempre muitos bons músicos originários da Catalunha, Ojos de Brujo, que tão bem sabem misturar a sua tradição musical com outras sonoridades, e uma das maiores figuras da música feita em Portugal, Camané, num bom concerto mas que não é própriamente adequado para estes eventos ao ar livre.

posted by ORELHA EXTRA @ 18:01  
1 Comments:
  • At 6 de julho de 2009 às 23:12:00 GMT+1, Blogger Gabriel said…

    Só pra complementar, falta aí um bom momento do festival, as brasileiras radicadas em Barcelona, N'Sista, que obviamente não comentas porque não assististe ao show. Não são músicas dotadas, o que fazem é cantar acompanhadas de programações e mixs/remixes de músicas brasileiras mais ou menos conhecidas (ex: Tuareg de Gal Costa) nos seus laptops com as quais vão interagindo. É um acoisa muito simples mas que comunica com o público e fez-nos querer saracotear a bundinha. Ademais, são muito simpáticas e afáveis. Houve um momento muito giro em que distribuíram garrafinhas e outras embalagens de plástico com pedrinhas lá dentro para que todos, em conjunto, fizéssemos a percussão para uma música. Um refinado e eficaz sentido de humor foi outra das marcas das meninas. Em suma, uma excelente forma de acabar aquela noite algo (também para mim) decepcionante.
    Abraços

     
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